Em novo espaço, a feira livre de Araci reaparece com jeito e cara diferente
- Dr. Gidalti /Escreveu e disse
- há 6 horas
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A feira livre de Araci, remanesce há mais de um século. Ao visitar a feira em seu novo espaço, "tive um insight" com a constatação de um tempo 134 anos, quando meu bisavô, como terceiro intendente do Raso, construiu um grande barracão, na Praça da Conceição, para proteger dos efeitos do sol e da chuva os moradores da Zona Rural e os mercadores e ambulantes que formavam uma feira em frente à Igreja Matriz. O barracão construído em 1882, por Ângelo Pastor Ferreira, durante 39 anos, abrigou também os condutores de tropas de animais de carga oriundos de Tucano, Bom Conselho, Cumbe, Uauá e Monte Santo trazendo fumo, couros, cordas e cereais.

A feira livre caminhou nessa estrada de 134 anos e veio experimentando inúmeras mudanças ao longo das administrações chegou ao seu último upgrade na gestão do prefeito Silva Neto que devolveu aos usuários da feira, um grande barracão, com mais espaço e qualidade pela aplicação de materiais mais modernos. Mas a prefeita Keinha, tomando ciência de que o tempo passa, o material deteriora e a demanda de usuários aumenta e apequena o espaço, decidiu agir.

A ação primeira foi mudar a feira para outro lugar e dar um novo upgrade estrutura que abriga a grande feira. Em outros tempos, sem o espaço que hoje representa a antiga Praça do Tanque da Nação, a mudança seria um tormento. Mas a mudança foi uma moleza. Pode constatar, conversando com feirantes e barraqueiros. Pelo menos com os entrevistados, a mudança foi positiva, salutar e entendida como melhor para todos.
A feira livre de Araci reaparece em novo espaço, com o mesmo coração e um novo rosto, confirmando a rotulação de “A maior feira livre da Região”. E não se deve isso somente à mudança de espaço, mais amplo, arejado, plano, de fácil acesso e manutenção. Mas pelo novo jeito na organização das barracas e bancas, no circular das pessoas e pela oferta de um ambiente mais simbólico para a cidade, carente de pontos de encontros, troca de saberes, cheiros e vozes e se, perder sua essência.
É natural que toda mudança cause estranhamento. Por décadas, o povo se acostumou a encontrar ali o feirante conhecido, o agricultor da zona rural, a conversa solta e o improviso que fazem parte do seu encanto. Por isso, qualquer transformação precisa ser olhada com cuidado e com o entendimento de que dia a dia, tudo volta a ser como antes.

Ficou top! Sem entender o que vai acontecer do outro lado da praça, senti que todo mundo que circulava no novo espaço tinha uma mesma sugestão: “Deveria ficar aqui e não mais sair”!
Expositores:

O expositor da banca que leva seu nome "TOUCHÊ", é dono ba banca Nº 1 da feira e está em lugar estratégico por ser canto principal do calçadão que circula a praça. "O novo espaço sinaliza um esforço de organização, higiene e mobilidade urbana. Melhor distribuição das bancas, maior circulação de pessoas, sem atropelo com carrinhos de feira, mais conforto para quem vende e para quem compra" - comentou.
Gente que trabalha com pescado achou que o espsço ficou melhor para o seu tipo de marcadoria, "o ambiente grande e aberto dissipa o pitiú do peixe" - comentou.

As bancas do beiju, da tapioca e derivados da mandioca, comemoraram a localização. "Agora os clientes nos encvontram com facilidade e ha melhor espaço para aguardarem seu beiju recheado assar" - comentou Fernanda a primeira barraca da ala.

Para modernizar não precisa elitizar. A feira livre de Araci reaparece, portanto, renovada no espaço, mas desafiada a preservar sua alma. Cabe ao poder público, ouvir feirantes e consumidores, ajustar o que for necessário e garantir que esse novo cenário fortaleça — e não enfraqueça — uma das maiores expressões da vida urbana araciense.
Porque, no fim das contas, a feira é mais do que um lugar: é o coração pulsante da cidade. E coração bom é aquele que sabe se renovar sem esquecer de onde veio.










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