80 Anos de Fé e Resistência: O Surgimento da Igreja Adventista em Araci com Laura e João Moura
- Dr. Gidalti /Escreveu e disse
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A história da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Araci é, antes de tudo, uma história de franqueza e ousadia silenciosas, características próprias dos primeiros pregoeiros do evangelho de Cristo
Ontem foi comemorado os doís aniversários da Igreja Adventista em Araci, com programação especial durante todo o sábado, com mensagens musicais, interpretadas pelo cantor Nadson Portugal, especialmente convidado para a celebração, mensagem falada pela manhã e pela tarde pelo teologando Ian Gama como orador oficial convidado e participação da Banda Dus Irmãos.




Há 80 anos, quando o Brasil ainda respirava os ecos do pós-guerra e o Raso que deu origem ao Araci sertanejo, com suas tradições, Laura e seu esposo, marinheiro reformado, regressavam trazendo mais do que malas: traziam ideias reformadoras. Laura, protestante, cristã convicta, e João Moura, de inclinações comunistas, duas bandeiras que, naquele tempo e naquele chão, eram vistas com uma aberta rejeição, pela maioria de seus conterrâneos. Laura, com sua bíblia de capa preta, explicava sobre a nova fé que a reformou no Rio de Janeiro, falava do 7º dia, como o sábado da Bíblia e da segunda vinda de Jesus à terra.
Moura, ainda movido por ideais socialistas, sonhava com justiça, igualdade e transformação das estruturas, mas com a consciência aberta aos planos particulares de Deus que aprendeu a admirar pelo exemplo e pregação de Laura.
Num ambiente onde a fé católica era não apenas religião, mas identidade cultural dominante, Laura que era devota de Maria e corista da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, era como declarar uma ruptura de seu primeiro credo. E João Moura se identificando como um comunista, era como uma afronta e assim, ambos eram rotulados como estranhos ao espírito do tempo, uma bolinação moral que passou a molestar seus três filhos que com eles chegaram, Pável, Arôvel e Grênivel.
Foi justamente nessa tensão que nasceu uma semente.
A chegada do adventismo ao Raso não foi marcada por grandes templos ou púlpitos imponentes. Furam os moinhos do tempo de Deus que começaram a girar devagar, mas sempre, desde 1932 numa pequena aldeia do antigo Raso conhecida como Caldeirão. Nesse tempo de Deus, um jovem tabaréu chamado Amaro Oliveira Lima deixou o Raso em busca de melhor qualidade de vida. Lá o tabaréu, Amaro enamorou Isolda, jovem de família aristocrata no bairro de Ricardo de Albuquerque e pela amor e a força dos ventos dos moinhos de Deus, Amaro aceitou Isolda e também a fé que ela professava. Os dois adventistas, agora estavam conhecidos pelas cartas de Amaro como “crente”. Os parentes mais carolas, diziam: “Amaro virou protestante no Rio.
O marinheiro João Moura veio do Rio, casou-se com Laura e se prepararam para a volta ao Rio casal. A recomendação dos parentes foi: “Procure não ter contato com seu primo Amaro, ele agora é protestante”. Laura sustentou o compromisso por muito tempo, até que os moinhos de Deus giraram mais uma vez e empurrou Laura para junto do primo crente em busca de ajuda para tratar de seu segundo filho Wêvel. Longe do esposo, que singrava os mares do mundo em viagens de pelo menos quatro meses, foi socorrida pelo seu primo.
Deus providenciou um meio de unir os dois retirantes e nesse novo estado de família, Laura aceita a doutrina do advento e do sábado...
Era o tempo do fim da segunda guerra mundial, final de 1945 e início de 1946, quando Laura e João Moura aportaram em Salvador com seus três primeiros filhos cariocas. Fixaram residência na Praça da Conceição onde João Moura tocava uma farmácia e pequeno ambulatório.
Gravida da quarta criança, Laura é batizada nas águas do rio Itapicuru, povoado de Rua Nova, Município de Tucano, pelo pastor Guilherme Bringer. Com ela batizou-se também sua irmã Joselita Oliveira Carvalho. Seu esposo João Moura, ainda resistia à mensagem. Escolhia os dias de sábados para sair à caça com uma cartucheira e um cão perdigueiro, atirando em perdizes e nambus na fazenda chamada Coqueiro propriedade de seu sogro Cândido Pastor e sogra Leonídia Cardeal.
Seis anos depois de seu batismo, a pioneira viu seu esposo se batizar e com ela formou um casal de pioneiros a semear a mensagem adventista em sua terra.
A residência dos Mouras era também um lugar de culto. Laura e João Moura e seus filhos Pável Moura, Arôvel Moura e o bebê Grênivel cultuavam sozinhos, até que Deus lhes acrescentou mais filhos, Hezir, Gidalti, Jabes, Hezenir, Helenir e Hildenir.
O movimento cresceu com a adesão de mais irmãos na fé, e se instalou em uma casa na Rua Barão de Jeremoabo, tempos depois foi transferida para Praça José Ferreira, numa casa alugada.
Depois a casa que era a residência do irmão Jadir foi comprada por 35,000 réis, tornando-se sede própria da igreja onde passaram a congregar.
Em 1959 foi realizado o grande batismo coroando o trabalho do casal quando se batizaram o irmão Jadir e família, Ricardo e família e nele foi batizado também o primeiro jovem José dos Santos.
Esse casal de jovens entrou para a história da igreja como o primeiro casamento do Grupo Adventista do Sétimo Dia de Araci.
No ano de 1960, o evangelho alcançou Dionízio Oliveira Carvalho que só veio a se batizar por convicção em 1964 pelo pastor Plácido da Rocha Pita numa barragem na Lagoa de Cima, na estrada de Coité com ele muitas outras pessoas.
Irmão Nizinho consagrou um dos maiores líderes desse movimento ao substituir João Moura que se mudou de Araci para Itaquara.
Também fizeram parte do seleto grupo de pioneiros, Maria José de Carvalho (Dadá), Francisca Santana, Odete Bacelar, Zilda Celestino, Antônio Natalício, Jandira Bacelar, a professora Clara Salvador Vidal, primeira professora adventista da história, professora Adélia Pereira e o professor Melquisedeque Rodrigues de Abreu e sua esposa Zilda Abreu.
Ha de se escrever os nomes de outros destacados pioneiros como Pedro Lima, Antônio Pastor de Oliveira, Gisélia, Isaura Queiroz e família, dentre outros.
Os primeiros diretores da história desse grupo que originou a primeira igreja: João Moura, João Ferreira de Oliveira, Melquisedeque, Dionísio Carvalho e Antônio Natalício de Carvalho.

Laura era mãe de nove filhos e ao tempo dos moinhos de Deus, eram-lhe acrescentados mais e mais filhos a cada ano. Esses filhos de sua fé compartilhada ao longo de sua vida, quando encerrou a carreira e guardou a fé, aos 97 anos em 13 de outubro de 2009, justificam a frase que rege toda a literatura sobre ela escrita, em forma de livro (em produção) e outros elementos como esse:
Essa semente gerou filhos espirituais que formam o rebanho de Deus e mais ainda, pastores e obreiros que saíram como fruto dessa sementeira de Araci para o mundo: Pastores na família Oliveira e Moura - José Jeremias de Oliveira seguido por Silas Lima. Selemias Lima, José Pastor de Oliveira, Pável Moura, Arôvel Moura, Jabes Moura, Esdras Carvalho, Merlington Pastor de Oliveira, Dênison Andrade Moura e Jédson Moura Pinheiro. Destes José Pastor foi pastor distrital em Araci.
Pastores frutos da história: Robson dos Reis, Florisberto de Jesus Gomes, Alex de Carvalho, e Maicon.
Galeria de Pastores desse panteão de 80 Anos de história e 44 de organização: José Pastor de Oliveira - Placito da Rocha Pita, Antônio Pereira, Arandi Nabuco, Lino Leitão, Ari Rafer, Samuel Quetler, Dilfo Martins, Wilson Wislac, Arnim Rondom, Otoniel Araújo Fonseca, Abraão Dantas, Jeremias Almeida, Messias Oliveira, Paulo Oliveira, Ari Almeida, Jaime Bomfím Barreto, Deraldo Zacarias, Pedro Evilácio, Jafé Chaves, Ronaldo Rocha, Melquisedeque Queirós Oliveira, contando à parte seu auxiliar ministerial o iniciante pastor José Edson. Depois do conhecido pastor Melque, veio o pastor Flavio Matos e hoje nos dias de seus 80 anos de fundação e 44 anos como igreja oficialmente reconhecida entre as mais de 10.728 no brasil, agregada às mais 175.000 na estrutura mundial dos adventistas, como igrejas, grupos e congregações, figura como pastor do Distrito Central e de seu 80º Aniversário, o pastor Valmir Bento.

Nestes 44 Anos como Igreja Organizada, Araci é representado por 2 Distritos sedes e mais de 36 igrejas no município.










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