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Um discurso que o povo não ouviu

Como faz falta à população a transmissão da sessão legislativa. O pronunciamento do vereador reeleito Marcos Antônio Pimentel o “Marquinho” foi ouvido por 13 colegas, algumas crianças e poucos adultos que se encontravam na Câmara nesta manha de terça-feira. O Portalfolha publica como uma verdadeira censura a quem tem medo da verdade.

Por Gidalti Moura

ter, 18/10/2016 às 17:58

Um discurso que o povo não ouviuMarquinho ocupou a tribuna da Casa por 21 minutos. Suficientes para expor uma verdadeira aula de sociologia politica com a descoberta de um tema trabalhado por outro candidato na última campanha. “A banda podre do processo eleitoral é o eleitor”, conformou isso em seu discurso com contornos de lamento e decepção.

Senhor presidente, público presente, bom dia, disse Marcos. Eu não ia usar a Tribuna, porque o que eu gostaria de falar, para toda sociedade de Araci. Eu não queria falar para as pessoas que estão presentes, eu gostaria de falar para toda a sociedade de Araci. Todos que utilizaram a palavra, nesta tribuna falaram somente em dinheiro. A sociedade e seus problemas não lhes interessam, pelo menos hoje.

Este vereador fala desta Tribuna com a cabeça erguida e com muita moral neste município. Muita moral para dizer o que sempre quis. Mas eu gostaria que a sociedade toda, ouvisse. Mas eu retornarei a esta Tribuna, quando a sociedade toda poder ouvir pela transmissão da sessão.

Aqui neste município, só se fala em dinheiro. O vereador, professor, a saúde… eu não preciso de nenhum professor. Agora, eles precisam de mim! Voto a favor do projeto para ser R$ 20.000,00 o salário de vereador. Não estou nem aí. Nem me linchando para professores. Agora, eles precisam de mim, e eu não preciso deles para nada. Se eles quiserem fazer uma cirurgia, venha me perguntar quanto que é mais barato. Se eles quiserem fazer qualquer coisa, venha me perguntar. Porque deles eu não preciso de nada.

E essa cidade, é o dinheiro que impera. Na política, nas secretarias, na zona rural. Em todos os setores deste município, é o dinheiro que prevalece. Porque é este vereador que está dizendo. Como eu disse em 2014 que os votos para governador “Ruim de Costa” na época, hoje Rui Costa; porque ele realmente está fazendo algo de bom. Prevaleceu o dinheiro. E mais uma vez prevaleceu o dinheiro no município de Araci.

Eu ando de cabeça erguida neste município, e não tem um cidadão, uma cidadã, que diga uma vírgula para com este vereador. Porque eu tenho moral suficiente para dizer no olho de todos vocês, que esta cidade é o dinheiro que impera. O resto, o vizinho, o colega que se lixe. Eles só pensam neles. Todos. Sem exceção.

Sociedade. Ah, vamos fazer um pacto com a sociedade! Eu já sei o que eu vou fazer. Vou juntar um pouco de dinheiro, que a conversa aqui é só dinheiro. Ficar três anos de braços cruzados, sem fazer nada. Eu vou ficar três anos. É porque na realidade, o Deus que eu sirvo o Deus que anda do meu lado, o Deus que me dá capacidade, inteligência, bons amigos em Feira de Santana; esse Deus não deixa eu ser da forma que 90% da sociedade de Araci é.

Eles só pensam em dinheiro. Dinheiro, dinheiro e dinheiro. O povo que se lixe. Mas a culpa não é de vocês, meus colegas vereadores. A culpa não é dos vereadores que foram eleitos. A culpa é da própria população que se vende. Se vende! Toda a sociedade de Araci sabe disso. Defender professor, defender gari, não defendo mais ninguém. Manda um projeto aqui de R$ 10.000,00, que eu vou aprovar. E quem quiser que se lixe. Mobilização na internet… Vão fazer mobilização na casa do… Olha. Mobilização; quem manda aqui é o dinheiro.

Aí eu fico analisando. Quem é pior? Os políticos que estão aqui nesta mesa, ou o povo que se vende? E qual é a moral que o povo tem, de vir nesta casa exigir. Exigir o que? Exigir o que? Vão procurar o que fazer. Vai para a rede social. Vai fazer o que for. Se o projeto chegar, de R$ 20.000,00, para vereador, coloque R$ 20.800,00 por causa dos impostos. Porque com toda honestidade do mundo; meus colegas vereadores, eu vi a dificuldade de vocês.

Na quinta feira, antecedendo a eleição, eu estava de bermuda na minha casa. Na sexta feira, eu passei o dia todos na rua. No sábado, eu estava na minha casa. Eu não bati em nenhuma residência. Em nenhuma sequer eu fui pedir o voto. Em lugar nenhum eu deixei santinho meu. Mas os meus 800 votos; se tiver uma eleição daqui a dois anos, os 800 votos vão estar lá. Eu não recrimino vocês. O que me dá nojo, o que me dá ânsia, colega vereador Anastácio, digo diante de todos que vossa excelência, dia 1º de janeiro de 2017, à tarde vossa excelência é vereador.  É vereador. Porque eu cansei de ver muita hipocrisia. Chegar aqui defendendo classe A, classe B, e na hora que nós mais precisamos, nós temos que ter o dinheiro para se eleger? – Eles se esquecem do trabalho. Vejo aqui colegas de oposição, colegas de situação, fazendo por suas regiões, fazendo por seus redutos políticos e na hora, o povo quer dinheiro. É uma vergonha! Quem quiser que venha dizer alguma coisa a mim. Venha! Porque eu não preciso de ninguém. Agora, quem precisar de mim, vou ter nome, endereço, CPF e tudo.

Vou relatar um fato para vocês. Uma criança de 17 anos, levou um tiro no maxilar. Ficou seis dias no hospital. A família veio desesperada me procurar. Pedi para que a família tirasse o paciente do hospital, por alta pedido. Levei o paciente colega vereador Anastácio, para Feira de Santana; cirurgião buço maxilar, meu amigo particular. Examinou e disse: Marquinhos, tem que voltar daqui a quinze dias. Quinze dias depois eu voltei. Ainda estava inflamado e a bala ainda estava no queixo. Voltei dez dias depois. Outro vereador chegou lá, colocou foto, colocou tudo, pagou, e a família votou toda no vereador.

Eu tenho moral para chegar aqui olhar no olho de vocês todos e dizer: Que a culpa não é nossa. A culpa é da população de Araci, que se vende. Partido A, partido B. Lado A, Lado B. Lembro-me quando a APLB ganhou a atual presidência. Soltaram fogos lá fora, achando que foi… Não foi a APLB a presidência da câmara. Soltando fogos. Foi a vitória de oito vereadores, não foi de ninguém lá fora, na eleição do presidente Riva. E eu falo. Sabe por que eu falo? Porque com toda a honestidade do mundo. Eu só estou aqui hoje em Araci, por causa das minhas duas filhas que não podem deixar de estudar.

Porque eu ia fechar a minha porta lá embaixo e ia ficar na piscina, esperando o salário de R$ 10.000,00… É R$ 11.000,00, né? R$ 11.000,00 em janeiro? Esperando só o meu salário de R$ 11.000,00, e olhar na cara de cada um. Porque é vergonhoso. No domingo da eleição, meus amigos mais próximos viram o meu… Não por causa dos 800 votos. Aonde eu tinha 6 votos, olha a conversa hein gente. Não, vereador Marquinhos está estourado. O vereador Marquinhos não precisa mais de voto. O vereador Marquinhos já está eleito. Você tem 6 votos, toma aqui R$ 1.500,00; me dê 4 e dê 2 a ele.

Dá para defender uma sociedade dessa aqui? Não! Não defendo mais ninguém! Está aqui gente. Uma criança de quatro anos, precisa de uma ressonância magnética urgente. Nem no particular você consegue. Mas o Deus que eu sirvo, não pode penalizar essa criança. Não pelos pais que me procuraram, mas por essa criança eu vou fazer. Nunca deixei de ajudar qualquer colega vereador ou qualquer pessoa lá fora. Mas hoje eu estou pensando duas vezes. Adianta eu arriscar a minha vida todo dia, um caminhão, um ônibus, estourar um pneu do meu carro? Adianta? Para quê? Se a própria sociedade me provou que não vale a pena fazer o que eu faço. Acordei ontem de manhã e tinha mais de dezesseis pessoas na minha porta.

Eu disse: Olha gente, eu não tenho carro. Não tenho. Pronto, quatro pagaram R$ 230,00 a um veículo e eles foram. Outros pagaram e eles foram. Mas eu não vou fazer mais o que eu estava fazendo. Porque não vale a pena. Não vale a pena para certos pais de família, que não fazem nada. Que sobrevivem da miséria e espera a eleição para usurpar. Para tirar dinheiro nosso. Botijão, bloco, telha, água, luz, remédio. A própria sociedade faz com que nós não rjeitemos o salário de R$ 10.000,00. Antes da eleição fazíamos uma ultrassom transvaginal, no período de eleição, vieram dez ultrassons transvaginais. A demanda cresceu 100%. A sociedade araciense, se aproveita desse momento, para querer se beneficiar com besteiras. Mas quando a transmissão voltar, eu vou voltar aqui de novo. E vou dizer para toda a sociedade de Araci ouvir. E tudo que aconteceu hoje aqui, só foi dinheiro. Só se falou hoje aqui em dinheiro.

Eu não sou uma pessoa evangélica, não sou alicerçado na palavra. Não freqüento muito a igreja católica, mas eu sei o Deus que sirvo. Deus disse e tocou no meu coração: Filho, eu vou te dá 800 votos. Porque se eu te der 2.800 votos, toda a sociedade de Araci vai dizer: Eu já sabia! Eu já sabia! Então eu vou fazer o seguinte. Eu vou te dá 800 votos meu filho, para a própria sociedade se escandalizar pela pouca votação que você teve.

Então aqui projeto, eleição de câmara, eu vou pensar em mim. Não vou pensar na sociedade. Não vou pensar em APLB, PCdoB, PT., eu vou pensar em mim. Vou ter que pensar em mim. Porque foram quatro anos viajando de segunda a sexta.

Como eu falei e dei um exemplo. Não vou deixar de fazer as coisas. Eu tenho que analisar quem está por trás de um pedido de um colega vereador, de um pedido de alguém conhecido meu. Eu tenho que olhar quem está por trás disso. Por que se eu deixar de ajudar, eu vou está penalizando o paciente. E isso não é do meu caráter. Como eu frisei. Eu não vou penalizar essa criança. A família não tem condição. E ele chega para mim e diz: Nem conhecia o senhor. O senhor não foi na minha região. Eu falei: É porque eu não fico aqui não. Eu fico viajando todo dia para Feira. Lógico, para deixar ele mais à vontade. E amanhã cedo eu vou estar fazendo de tudo que eu posso, para tentar essa ressonância magnética par essa criança.

Marcos-4Mas eu gostaria que senhor presidente, eu gostaria que o mais rápido possível, a sessão fosse transmitida. Porque em relação a tudo que a gente faz, tenho convicção que o Deus que nós servimos, é um Deus misericordioso. Eu só vou dar um exemplo para aqueles jovens que estão ali. Aqueles três ali. Nós somos a única cidade… Preste bem atenção vocês três crianças. Nós somos a única cidade, em todo o território, que o lençol freático, Deus contaminou. Nós somos o único, que o lençol freático é contaminado. Nenhum animal bebe. Nenhum animal bebe da água que corre sobre o solo de Araci. Analise o que eu estou dizendo para vocês. Nós temos o dobro do território de Salvador. Nós somos duas vezes maior do que Salvador. Vocês três crianças. Nós somos maior do que a capital do estado. Nós somos abastecidos, a energia, por Teofilândia. E aqui ninguém se atentou até hoje, o que verdadeiramente Deus faz com esta cidade. Não tem água! Não tem luz! E a gasolina é a mais cara do país!  Vocês três crianças, perguntem a professora de vocês.

Toda vez que eu tenho a oportunidade de viajar com um professor, eu pergunto ao professor, se no plano de aula deles, eles  colocam isso. 99% dessas crianças não sabem disso. Que nós somos o dobro de Salvador. Nós não temos lençol freático, não temos água e não temos energia. Como é que uma cidade desta vai crescer? Como? De que forma? Nunca! Pois, quando tiver uma assembléia da APLB, não me chame não, porque eu não venho. Não me chame, que eu não venho. Agora me chamem quando o projeto de salário de vereador for para R$ 30.000,00. Eu aprovo na hora. Porque eu vou ter que guardar um dinheirinho para daqui a três anos. Porque eu senti na pele. Vou ter que guardar um dinheirinho. Desculpem, eu não ia usar a Tribuna, mas eu vi a casa hoje. Depois de muito tempo eu vou usar e vou voltar aqui de novo e vou dizer para toda a sociedade araciense.

Obrigado a todos e desculpe alguma coisa.

 

 

 

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