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Onde estão os fleumáticos de nossa confraria?

Quantas vezes, nem me lembro, mas também já fui vítima de confrades […]

Por Gidalti Moura

sex, 09/01/2009 às 10:32 - atualizado em 08/01/2011 12:30

Quantas vezes, nem me lembro, mas também já fui vítima de confrades coléricos pelo exercício que faço para manter o equilíbrio de meu espírito fleumático. Também conheço outros nessa confraria à qual chamo de Araci, que foram feitos vítimas do espírito colérico dos confrades que preferem se comportar como irmãos gastadiços dos espíritos corajosos por serem pacifistas sonhadores. Caso típico de Aloísio e Claudio confrades ora engalfinhados na Justiça com um processo criminal. Mais que isso, acho tratar-se de um crime fratricídio tão lamentado entre os consangüíneos de nossa terra. Bem idêntico a esse, o caso de destempero que levou o confrade Grênivel Moura a ameaçar o radialista José Socorro de processo no tribunal como se essa fosse a saída para os desencontros de opiniões. Quando será que a liberdade de expressão será aplicada contra e a favor sem que seja julgada pelo fleuma e pelo cólera? Afinal não é a crítica que faz melhorar o conteúdo? Não é o elogio que amplia o tamanho da alma? Nós que fazemos a imprensa, pelo rádio e pelo jornal, sabemos que a crítica se manifesta na mesma intensidade do elogio, por isso rezamos para que os fleumáticos e coléricos confrades de nossa confraria troquem os processos e os insultos contra os outros pela tolerante descoberta de que cada um é uma pessoa e com suas liberdades individuais de se expressar e sentir devem ser compreendidos e respeitados ainda que sem aceitação ou acatamento.

Afinal a lamentável esfoladura moral entre nossos quatro irmãos camaradas, me levou a escrever esse Editorial para lembrar que podemos preferir ser fleumáticos e não coléricos. Enfim, como é um fleumático? Pessoa de fácil convivência merecedora do cognome “Senhor ou Senhora simpatia”. Pessoa calma, eficiente e conservadora. Possui algumas fraquezas e a pior delas é a falta de motivação, sem ser preguiçosa. Todavia possui atributos interessantes: Coloca freio nas emoções, não se emociona facilmente. Se aquece “vagarosamente”, age mais por princípios do que pela emoção. É uma pessoa às vezes vagarosa no agir, mas valoriza bons hábitos, tem respeito pelos princípios. É pontual, em tudo busca um objetivo, é ponderado e merecedor de confiança. Os fleumáticos possuem humor, geralmente impassíveis, são também pacientes, tenazes, desprovidos de toda afetação. Possui profundo civismo e na escolha da religião prefere a que tem o caráter e o moral.

Quando a pessoa é colérica se comporta ao contrário de tudo isso. É influenciada pelas emoções e valoriza a ampliação dos efeitos secundários e dos estímulos exteriores. Não amortece nada. Não dilui nada. O momento é quem influencia e diz quem é que manda. Ela é possuidora de uma grande energia e conseqüentemente grande excitabilidade. Diferente da fleumática que possui pouca energia e logo pouca excitabilidade. O colérico não leva desaforo pra casa, prefere levar a polícia e a justiça a bater à sua porta.

Não tem como deixar de conviver com os variados temperamentos existentes em nossa confraria. Temos irmãos e confrades coléricos dotados de grande energia e grande excitabilidade. Temos outros que já são melancólicos possuidores de grande energia, mas de pouca excitabilidade. Outros confrades são considerados sanguíneos pela pouca energia que possuem embora tenham também uma grande excitabilidade. E temos também os fleumáticos em cujo grupo se encontra os que são possuidores dos atributos mais dissecados neste editorial. Neste tempo de luzes, cores e motivos natalinos, como um fleumático persistente, nascido na mais linda noite do mundo cristão, eu dedico esse Editorial aos meus confrades interessados na construção de uma confraria linda, um lugar de boa convivência, um Araci de todos nós!

O Editor.

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