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Reflexão: bandas de pagode a violência física e moral na essência da música

Caros leitores, o texto a seguir é uma reflexão do Coletivo Poder […]

Por Do Karmo Carvalho

sex, 31/08/2012 às 08:50 - atualizado em 03/09/2012 17:51

Caros leitores, o texto a seguir é uma reflexão do Coletivo Poder e Ação Feminista da Bahia, que assim como muitas pessoas repudiam a forma de como estão se comportando algumas bandas de pagode da Bahia. Não é aceitável que a sociedade – principalmente as mulheres se tornem produtos de uso impetuoso apenas como se fosse objetos de múltiplas manipulações.

“Duas adolescentes foram estupradas por vários homens de uma banda de pagode em Salvador. E os apresentadores dos programas sensacionalistas que embrulham e alimentam os estômagos alheios com as ‘tragédias’ cotidianas de nossa cidade se questionam sem resposta: ‘Que fenômeno é esse?'”

O que estaria acontecendo com as bandas de pagode de Salvador? Nada de novo, apenas a continuidade de uma mesma lógica… Há tempos essas bandas têm edificado o seu sucesso na objetificação da mulher, fazendo da violência algo comum e consentido, transformando o NÃO em uma espécie de “sim” subjetivo. A violência simbólica vinda das letras diz respeito a um gênero musical opressor, criminoso e usurpador de liberdade e não podemos confundir liberdade sexual com estupro e submissão.

Assim como os comerciais com exibição de mulheres como mercadorias, ou apêndices delas, essas músicas fazem diretamente o trabalho de colocar a mulher em uma posição de amostra grátis: “pegue, coma e faça o que quiser”. Do que se diz para o que se faz não há muita distância. A violência às vezes cantada de forma despercebida pela população apenas dá margem e legitima a prática do estupro e demais agressões contra a mulher. É uma violência ratificando outra.

E a sociedade agora a se perguntar: Que “fenômeno” é esse? É o mesmo que machuca, agride, xinga, violenta, humilha e estupra mulheres há centenas de anos! Nada é novo. Não podemos continuar sendo coniventes com a naturalização dessa violência que nada tem a ver com música. Essas meninas não foram as primeiras; a diferença é que elas não se calaram. O Coletivo Poder e Ação Feminista da Bahia vem demonstrar através desta carta aberta toda a solidariedade a essas adolescentes e toda a nossa revolta diante da perpetuação dessa violência.”

 

 

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