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Lenda ou realidade? Moradores de São Gonçalo temem lobisomem

O clima de medo ganhou força depois que um homem disse ter ficado frente a frente com a lendária criatura, cuja crendice popular o descreve como ‘metade homem, metade lobo’.
Conforme moradores, o bicho surgiu quando um rapaz, conhecido como Pingo, esperava o ônibus, por volta das 3h de uma segunda-feira. Procurado pela reportagem, ele não quis falar sobre o assunto.

Por Do Karmo Carvalho

qui, 06/02/2014 às 09:52

No destaque, aposentado Paulo Dias diz que era mais de meia-noite quando ouviu arranhões no portão

No destaque, aposentado Paulo Dias diz que era mais de meia-noite quando ouviu arranhões no portão

Relatos que mais se confundem com enredo de filme de terror transformaram a rotina da, até então tranquila São Gonçalo dos Campos (a 134 km de Salvador), na Região Metropolitana de Feira de Santana (RMFS).

Há cerca de duas semanas, a cidade de 36 mil habitantes experimenta uma espécie de toque de recolher após boatos sobre a aparição de um suposto lobisomem. Verdade ou não, moradores passaram a se abrigar em casa a partir das 21h.

O clima de medo ganhou força depois que um homem disse ter ficado frente a frente com a lendária criatura, cuja crendice popular o descreve como ‘metade homem, metade lobo’.

Conforme moradores, o bicho surgiu quando um rapaz, conhecido como Pingo, esperava o ônibus, por volta das 3h de uma segunda-feira. Procurado pela reportagem, ele não quis falar sobre o assunto. Segundo a esposa, porque passou a ser alvo de piadas.

A um blog local, Pingo assim o descreveu: “Um monstro de cor negra, aparentando mais de um metro e meio de altura, peludo, e que se contorcia sem parar”.

Após avistar a criatura, o rapaz teria corrido para casa, onde entrou esbaforido e desmaiou por conta do susto. “Dizem que foi a sogra dele que abriu o portão. Mas ele ainda viu o bicho na esquina”, descreveu o vizinho Mário Sérgio, 40.

Já o aposentado Paulo Dias, 46, diz ter notado “algo estranho” fora de casa na terça-feira. Sem saber o que seria, preferiu acender uma vela e orar. “Era mais de meia-noite. Ouvi um bicho arranhando o portão e fiquei quieto, sem dar um pio. Não posso garantir que foi o lobisomem, nem quero saber se era. Tá repreendido, em nome de Jesus.”

Embora as narrativas estejam se multiplicando na região, a delegada da cidade, Cristiane Oliveira, disse que, por enquanto, não decretou investigação. Ela informou que não havia registro relacionado ao caso até a tarde da quarta-feira, 5.

Para o prefeito Antonio Dessa, o episódio é no mínimo hilário: “Faz parte da cultura popular. O povo tem a mente fértil e gosta de alimentar essas histórias. É algo normal” .

Estudiosa de remanescentes da cultura popular na Bahia, a pesquisadora Helenita Hollanda afirma que a mística em torno do lobisomem é universal. “A Bíblia, por exemplo, é o primeiro livro a fazer referência ao assunto. Em Daniel, há uma passagem que mostra que o rei Nabucodonosor teria ficado com aparência de lobisomem “, explica.

Segundo ela, as maiores ocorrências sobre registros de lobisomem em território baiano são nas regiões do Médio São Francisco, Recôncavo, Sertão e Chapada. (Por: Alexandre Santos / A Tarde). 

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