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Para Avançar foi preciso unir

O fim das coligações proporcionais forçou os partidos políticos a abandonarem a prática de agregar legendas de aluguel e apostar em candidatos de valores individuais: Lição: “Um candidato possuidor de um “bom perfil” é mais importante que a legenda que ele represente”.

Por Gidalti Moura

dom, 03/05/2020 às 17:19

Gidalti Moura, doutor em Psicanalise da educação e saúde é autor da tese A política na visão psicanalítica do cidadão e do livro ultimamente lançado, Virando o Jogo que trata de um novo modelo de se fazer escolhas no campo de postulação de cargos eletivos.

A Emenda Constitucional 97/2017, foi editada com um objetivo assas muito claro, – “acabar com a famigerada prática, de agremiações com posturas fisiológicas, agregando a qualquer custo legendas de aluguel, que sem propostas acabam se extinguindo pela rejeição dos eleitores decepcionados com seus nulos resultados”.

A nova regra proposta pela PEC-97/2017, surgiu para estimular a seriedade dos partidos. Ela vem fortalecer o sistema político-partidário, porque seu exercício exige um tipo de filtragem, uma seleção natural, de forma que só subsistirão os partidos mais aptos e preparados. Logo as legendas passarão a focar em nomes de pessoas que tenham um “perfil bom para apresentar à massa que decide pelo voto, quem deve ter uma oportunidade de bem representar seus interesses”.

A medida pôs fim às coligações partidárias para eleições proporcionais desse ano. A partir dela, aquelas coligações utilizadas para a escolha de deputados federais, estaduais e vereadores, passaram a existir apenas para as eleições majoritárias (prefeitos, governadores e presidente).  Assim a partir dessa nova realidade, as coligações permanecem na eleição majoritária com o objetivo: – obter um maior tempo de propaganda no rádio e na TV e, ao fim, conseguir mais votos para a coligação de partidos, melhorando o chamado coeficiente eleitoral, hoje importante em relação ao bolo do fundo eleitoral.

Em Araci a ultima eleição foi disputada por três coligações de partidos que formaram coalizões de força para elegerem os quatro candidatos:

Silva Neto, cabeça de chapa pelo PDT. Em seu entorno se juntaram o PSC, PSB, PV, PRB, PR, PSDC, PHS, PSL, PMDB e o PT. Silva Neto e sua vice Keinha se reelegeram e na última coligação proporcional da história, elegeram como equivocadamente se escreve 10 vereadores: Manoel de Bernardino; Léo de Marlúcia; Jefinho; Guri; Virgílio; José Augusto; Edneide; Marquinho; Guinha de Pascoal e Jera Policial.

Nenca do PP formou chapa para prefeita e vice com Marlúcia do PTdoB. Sem sucesso, reuniram em torno delas os partidos: PTN; PTC; PSD; PPS; DEM e PRP. Com a benesse do revogado sistema de coligação, conseguiram colocar como equivocadamente se escreve 4 vereadores no parlamento municipal: Laerto; Roberto do Sem Freio; Leo de Eridan e Luiz do Boa.

E a candidata Gilmara do PSDB, formando chapa com Naná do PCdoB, trazia uma mensagem, antecontinuista e apoiadas por mais duas legendas, o PMB e o PTB, insurgiam corajosamente contra os dois caciques daquela peleja/2016. Também sem sucesso, fazendo valer a malbaratada luta, elegeram como equivocadamente se escreve a vereadora Jamile.

A quarta coligação se formou com os partidos PEN e PRTB na tentativa de eleger José Edvalson para prefeito, coalisão que saiu de campo no meio da peleja.

O quadro descrito é o reverso da moeda apresentada pela tese que apresentamos em nosso trabalho implícito no livro que lançamos “Virando o Jogo”.  Esses 25 partidos representam a velha prática extinta pela Emenda Constitucional 97/2017: a conveniência de agremiações com posturas fisiológicas, agregando a qualquer custo legendas de aluguel. Sem propostas esses partidos “nanicos” acabam quase sempre se extinguindo pela rejeição dos eleitores decepcionados com seus nulos resultados.

Mesmo sendo necessária para o processo, os partidos considerados “nanicos” foram surpreendidos pela medida, mas buscaram um artifício que pudesse garantir a chance de competir a candidatos considerados “bons”. Construir uma união para atingirem o chamado coeficiente partidário.

O Avante, o PSL e o PROS sem caracterizar coligação proporcional, decidiram em convenção, formarem um plantel único para conseguirem  um melhor resultado matemático. Uma estratégia que de forma sólida, garantiu candidaturas efetivamente viáveis, cumprindo a cota de gênero, sem jogar com candidaturas laranja, visando garantir a cada candidato a chance mínima de representar seus eleitores no Poder Legislativo municipal. Foi mais do que um mero artifício matemático e será o diferencial entre a sobrevivência ou não de cada partido que se uniu nesse bloco. Findo o pleito, cada candidato se eleito, saberá de seu papel na câmara municipal, reconhecendo sua sigla de origem.

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