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Gente, meu país está doente!

Dr. Gidalti Moura dedica esse artigo a todos os que daqui a onze dias irão apostar no fim do mal que adoece o país. Para evitar o contágio das novas gerações, será preciso eleger um presidente capaz de mudar a cultura excessivamente permissiva e transgressora, patrocinada por políticos consagrados como maus exemplos, indivíduos capazes de práticas cada vez mais nefastas se seu arquétipo não for revelado.

Por Gidalti Moura

ter, 16/10/2018 às 17:45

Diante da telinha da globo os amantes das telenovelas estariam habilitados a responder que a republica já nasceu doente. A trama criada por Thereza Falcão e Alessandro Marsonque, encenada na novela das seis, “Novo Mundo”, mesmo sendo uma obra de época, apresenta-se como uma história alternativa, mas sua teledramaturgia parece querer mostrar nossa herança, uma gama de mazelas no âmbito da moral, do poder; das relações entre os negócios, as oligarquias e os grupos políticos dissociados de politicas públicas.

No discorrer desse arquétipo da moral coletiva, transferido ao povo da Terra de Santa Cruz onde aportaram nossos ancestrais de Cabrália no ano de 1500, acabaremos descobrindo que somos todos iguais pela origem. Do gênesis formador dos nobres, cujo gene puro associado aos mestiços dos plebeus, dos índios e negros, deram origem às filhos da Terra de Santa Cruz obrigados a ter como irmãos, brasileiros azarados e sem chances de apurar uma raça cruzada os genes degredados, condenados a viver sem pátria.

No análogo reino de Avilan, quem não era da realeza ou nobreza era ralé. Para servos, escravos, degredados, plebeus, negros e índios, nada do que acontecia e se tratava era da conta deles. Para esses desventurados, serem tratados como idiotas era a paga merecida. Hoje após 128 anos do declínio do regime escravista do império, os filhos da república do Marechal Deodoro da Fonseca implantada em 1889 persistem contaminados pelo mal da abjeção. Filhos de um país mais inferno do que pátria, seu canto aflito se acha no poema da música da cantora Luka: “Tô nem aí, Tô nem aí… Pode ficar com seu mundinho eu não tô nem aíTô nem aí, Tô nem aí… Não vem falar dos seus problemas que eu não vou ouvir...”

A República teve seu lugar. Presenteou-nos o presidencialismo como forma de governo. Fortaleceu o país para enfrentar os militares, a ditadura a nos levou à democracia. O mundo passou por sérias transformações com os efeitos das duas Grandes Guerras que se refletiram no Brasil, mas ele sobreviveu a esse período negro.

É imperioso repetir “o país sobreviveu a esse período negro”, como é essencial recapitular a história da resiliência brasileira. Por quase 400 anos o Brasil foi despojado pela corte portuguesa e depois do grito de independência ou morte, livres do despotismo a nação brasileira passou a ser escrava de sua própria libertação pelo uso equivocado da liberdade. O exercício da liberdade sem o bom senso, sem o respeito e sem limites é libertinagem que por sua vez é o abuso da liberdade. O libertino não reconhece limites nem regras. Ele precisa ser livre para pecar, mas a regra o escraviza e nasce nele a revolta contra as regras.

A revolta é uma deterioração da conduta, é o corrompimento da dignidade humana e o acometimento da corrupção, mal que está adoecendo o Brasil. Derivada do verbo “rumpere”: romper, quebrar, palavra corrupção vem do latim “corruptio”, que é corromper ou ser corrompido. É, portanto o “rompimento” do equilíbrio natural entre as pessoas, o romper da integridade moral, romper a harmonia, romper a fraternidade.

Atualmente, a palavra “corrupção” costuma remeter ao mundo da política e das instituições que rompem a justiça e defraudam a sociedade; mas seu conceito é mais abrangente do que a corrupção política, social, econômica quando se trata do indivíduo porque ela se enraíza em cada pessoa que se deixa corromper ou que corrompe o outro, rompendo a harmonia na convivência com o próximo pela busca de vantagem pessoal indevida.

Distanciando do indivíduo, a corrupção se manifesta como um cancro antigo em sua mais antiga forma nas organizações, no estado, na guerra pelo poder e na manutenção dele e deve ser encarada como algo habitual e presente no cotidiano.  Sua aparição como algo pontual no Brasil e no mundo de hoje, está longe de ser um processo regenerativo da integridade moral dos que estão denunciados de corrupção. O denuncismo infernal foi adotado em alto grau e tem sido manejado como instrumento de luta pela manutenção do poder e contra aqueles que brigam por ele.

O mal que adoece o Brasil sob o olhar de muitos é a corrupção caracterizada pelas primeiras operações como a Operação Alpha em 1994, somando-se a mais de quarenta até 2106, sendo a maior delas a Lava Jato iniciada em 2014. Os crimes de corrupção, formação de quadrilha, organização criminosa, lavagem de dinheiro e recebimento de vantagem indevida e caixa 2, são praticados com o maior sossego por agentes públicos e empresários protegidos pela promiscuidade entre os poderes executivo e legislativo, uma estratégia usada em nome da “governabilidade”.

O governante criar cargos e mais cargos para saciar a voracidade dos políticos do Poder Legislativo e para manter seus “cabos eleitorais” se unem na busca de dinheiro e para isso são levados a práticas espúrias.

Vou me reportar a uma frase do grande líder de massa Martin Luther King. Sobre esse estado de mistura e desordem ele disse: “Eu tenho um sonho: Que seja proibido a quem disputar um cargo eletivo ao legislativo, seja proibido de ocupar cargos, durante o mandato, nos executivos municipal, estadual e federal”.  Quando alguém se candidata a um cargo eletivo para as (câmaras de vereadores, assembleias legislativas e congresso nacional), está se colocando ao lado do povo como seus fiscais e legisladores. Quando termina a eleição, os governantes eleitos, vão buscar, vereadores e deputados eleitos ou não, para comporem o seu secretariado ou corpo administrativo e como são cúmplices de tratados espúrios, não consideram a habilitação técnica para os cargos. Isso contraria a ética a ética mais simples da representação popular. Eleitos para defender o povo eles passam a defender interesses do gestor para obterem vantagens pessoais.

A mais clara prostituição legislativa são as emendas parlamentares, o cabide de emprego, locações de bens e serviços, o “toma lá da cá” no parlamento em todos os seus níveis.

No mais recente trabalho que o editor vem desenvolvendo para seu livro “Separando Palanques”, este INCOVENIENTE político, será tratado para que o leitor possa chegar à dimensão do verdadeiro modelo de eleição nesse país. Se o voto popular legitima a pessoa e ela é mais importante que a legenda que representa, vamos “separar os palanques”. No palanque do executivo estarão em apreço: – o gestor e seu corpo administrativo para que o eleitor vote na experiência, competência, (Curriculum Vitae). No palanque do legislativo estarão os candidatos a fiscais e legisladores do povo e serão votados como candidatos do povo e eleitos como vereadores do povo, porque nos palanques promíscuos de hoje, sobem os candidatos dos postulantes a prefeito e isso se repete em níveis de Estado e União.

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