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Enquanto a bola rola nos novos estádios, o nordestino perde para a seca

A seca grande, mais de dois, três anos sem chuva, sem barragens. Apenas algumas latas d’aguas conquistadas na hora em que o caminhão pipa chega. Um povo que não pedem luxo, apenas água.

Por Do Karmo Carvalho

qua, 12/06/2013 às 18:00

No nordeste existe um mal, silencioso, que mata, que não ganha as manchetes dos jornais como os alagamentos das grandes cidades. E quando você pensa que o alívio chegou, não é bem assim: seca verde, tá tudo verde, mas não tem água para os animais. Pessoas abandonam suas casas, onde as soluções são sempre momentâneas, nunca permanentes. Poço da Pedra – Bahia, um povoado onde 300 pessoas tem direito a uma lata d’água por dia.

Muita burocracia, ajuda do governo na maioria das vezes nem chega aos mais necessitados. A maioria dos produtores abandonam suas atividades no campo.

A seca grande, mais de dois, três anos sem chuva, sem barragens. Apenas algumas latas d’águas conquistadas na hora em que o caminhão pipa chega. Um povo que não pede luxo, apenas água.

O Exército atende algumas regiões com movimento chamado “Operação Pipa” que em algumas comunidades abastece com um caminhão pipa todos os dias. Todos os meses o contrato é renovado, enquanto o contrato não é renovado com o município, os caminhões do Exército não colocam água. Às vezes a prefeitura abastece e daí entra o jogo político… (é uma sacanagem), e em algumas casas a água não chega.

Tal de desvio das águas do Rio São Francisco que levaria água para milhões de nordestino e que o sertão iria virar mar, até agora apenas gastaram tanto e nada! Vida boa? Claro, só para os donos das construtoras. Apenas canos e buracos que levam água do nada a lugar nenhum.

A água será o petróleo do futuro, no entanto, muitos lugares do Brasil este futuro infelizmente já chegou. Água, tão abundante a ponto de ser tão difícil.

Ilustração

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No outro lado da moeda, milhões e mais milhões gastos com a copa do mundo. O brasileiro pagando e atendendo uma fantasia de uma instituição de grandões do dinheiro chamada Fifa, que só não leva os estádios no fim da copa porque não tem como, aliás, ainda não criaram meios… Copa do Mundo, onde dinheiro público é aplicado em enormes templos do futebol que gera violência mais do que benefícios, violência que gera feridos que ocupa os poucos leitos dos hospitais que o pobre que estava sofrendo com a seca deveria estar sendo atendido.

“Não temos infraestrutura para a copa” – dizem por aí, claro que não temos, o nosso povo ainda bebe água armazenada em galões de óleo lubrificante, imagine! Povo da roça que malmente não tem água para lavar o pó dos pés para dormir, mas se olharmos para as grandes capitais, lá estão eles: os estádios, gramas verdes, assentos, banheiros chiques, água para regar o tapete verde e molhar a cabeça de jogadores milionários que não fazem jus a energia que gastamos para assisti-los jogando. Meu Brasil, minha terra da desigualdade onde o rico cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre, sem trabalho, sem dinheiro, sem pão e sem água. País de uma democracia mutante onde políticos abastecem o povo com esmola para que eles não se revolte, não se manifeste. Ufa! Não dá, queria ser apenas uma formiga para esconder-me no chão e não olhar o sol e ouvir as pessoas dizerem: “O sol é pra todos, mas a sombra é pra poucos”. Cansado disso…

Pensamentos de
Do Karmo Carvalho

 

 

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