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Dois bicudos não se beijam

O pedido de desculpa que não aconteceu entre José Socorro e José Augusto define o titulo do artigo,

  • Por Gidalti
  • qua, 07/12/2011 às 17:35
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Por: Gidalti Moura

O velho ditado pode não valer muito para os dois. Um José que se chama Augusto e o outro Socorro. O que afinal nos deixa um tanto mais bicudos é que o Augusto carrega na etimologia do sobrenome alguém respeitável, grandioso e até sublime, atributos legados aos imperadores romanos. Já o outro significa o ato de dar Socorro, de ajudar e auxiliar alguém. Bastavam esses aplicativos para justificar que se dois entes deveriam andar de acordo seriam o “augusto e o socorro”.

Na verdade, o que ocorre entre eles não é nada novo no dicionário do relacionamento humano, desde que existe o polis no mundo. Trata-se de dois eminentes titãs com uma diferença: Um veio crescendo pelo processo natural da vida e o outro cresceu pela vida que levou no processo, processo político.  Por isso o antigo refrão hoje é aplicado perfeitamente aos que se sentem grandes e famosos e no caso dos dois a política onde inimizade nunca foi novidade.

Um tem a tribuna do parlamento municipal. O outro o microfone de uma emissora comunitária. Por razões políticas, ideológicas ou de vaidade extrema, eles preferem trocar ironias e pedradas, esquecendo-se de que a troca de idéias faz bem e não estimula péssimo exemplo para os mortais comuns. E o mais inexaurível, os mortais comuns depois do mau exemplo, tomam partido nas bicadas que vão e nas bicadas que vêm e isso se torna no combustível do ódio que acabou por levá-los ao tribunal para que a justiça os obrigassem a uma revisão emocional e colocasse fim aos ressentimentos.

Os dois foram parar entre um juízo conciliador e muito embora as ofensas envolvessem desacatos, maledicências, ofensas, ameaças, gestos nunca vistos e provas em arquivos digitais, os dois causídicos de libelo e defesa, conseguiram a façanha de convencer os dois bicudos a uma retratação e pedido de desculpas no ar, seja no programa do apresentador José Socorro de onde saíam as ofensas na visão do vereador ofendido. A juíza da comarca de Araci comemorou o acordo e determinou o arquivamento (extinção) do processo com uma sanção do pedido de desculpas. O dia “D” foi terça-feira, cinco de novembro. Nesse dia houve uma revelação do que ainda estava no lado oculto de cada um, uma hostilidade plantada nos confins do ego. Quando o ego está faminto demais, não deixa espaço para uma verdadeira reconciliação e para o retorno à amizade. Palavras ditas ao microfone, aperto de mãos levados a efeito pelos causídicos não libertam o interior das antigas mágoas. A qualquer momento um dos bicudos vai pisar de novo no calo do outro porque o orgulho, a arrogância e a prepotência insistem em fazer parte de suas vidas, destruindo as relações.

A justiça pede que nos desculpemos publicamente e no ar, dizia um para o outro no estúdio da Cultura FM de Araci. Mas os dois estavam fechados à verdadeira humildade. Nenhum deu o pontapé inicial porque sabia que seu algoz só precisava daquela “fraqueza” para tripudiar sobre ele. A soberba não deu lugar à humildade e os dois perderam a concepção de que a humildade é o maior sinal de grandeza de uma pessoa.

Quando não damos lugar à humildade, estamos rejeitando nossa própria condição de humanos que somos. Humildade vem da palavra “húmus”, que é a mesma raiz da palavra “humano” e denota origem – origem que é o barro, barro que é terra.

“Aprendei de mim que sou o filho de Deus, sou o próprio Deus, sou o Rei do Universo”. Não foi isso que disse o Deus-Homem. Aprendei de mim que sou manso e humilde. Porque será que Ele escolheu esse caminho para o aprendizado?

 

 

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Comentários

  • Esse caso já ta virando circo onde um quer aparecer mais que o outro.

  • Lucas carpinteiro em 8 de dezembro de 2011 às 04:30

    Parabéns Portal Folha pela matéria: “Dois bicudos não se beijam”. Referindo aos dois zés, o socorro e o augusto, faltou a ambos algo conhecido como respeito mútuo e isso não foi possível porque um é cabeça ôca e o outro tem dentro da própria cabeça o que cabe num licuri. Só podia acabar em bicadas, pra variar.

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