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Aqui o ser humano não tem valor

Passei dois anos fora de Araci. Aposentado, fui dar um passeio, no […]

Por Luis Gustavo

qua, 18/02/2009 às 12:39 - atualizado em 26/08/2011 16:09

Passei dois anos fora de Araci. Aposentado, fui dar um passeio, no inicio de 2005. Quis ver os lugares que freqüentei por vários anos. Tomar cafezinho nos bares, sentar nos bancos das praças como antigamente. Rever velhos amigos, os afilhados, curtir minha filha querida, rever sua mãe e seus sobrinhos que são meus também, um casal de irmãos lindos que vi nascer, peguei no colo, batizei um, recebi mijadas e outras coisas, troquei fraudas, dei mamadeiras, meninos bons, bem criados (eu também ajudei) logo que começaram a falar me chamaram de tio. Hoje seus filhos um de cada, ainda pequenos, foram me vendo, se identificaram logo comigo e passaram a me chamar de vô. (os deles já são falecidos) e para não fugir à regra, sentiram-se a vontade para me perturbar e encher meu saco, imitando seus pais na mesma idade deles.

Voltei no final de 2006. Desci na rodoviária, vim andando para o centro, senti logo que a cidade estava abandonada, parada no tempo, nenhuma mudança para melhor. Quis ver logo tudo, andei pelo asfalto, só vi mato nas avenidas dos dois lados, construções invadindo as áreas públicas. O bairro da bombinha onde morei, estava diferente, o mato das ruas tinha crescido, o lixo espalhado, tinha aumentado, a escola que tem o nome da minha tia Faustina, parecia um pardieiro, vista de fora, sinalizava uma morada de fantasmas. Andei mais e vi que tem outras escolas assim na cidade. No centro, veio a decepção, tinha virado favela, construções em cima das marquises, sobre os passeios, tudo desordenado. Vi algumas placas de um tal de CREA, ninguém sabia para que servia, para fiscalizar é que não era, dissera., Nos passeios e nas ruas, entulhos, areias, materiais de construções ocupando o espaço dos pedestres.

Vi logo que aqui o ser humano não tem valor. Sem poder fazer nada, passei a conviver com este estado de coisas. Nos meus momentos de franqueza, comecei a achar que devia entrar na campanha política e votar neste prefeito que está querendo se reeleger, faria isto só para acabar de esculhambar tudo, pois uma parte da população bem que merece. Eu só não faria é roubar também. Na hora em que me recupero chego a conclusão que trair minha consciência não vai levar a lugar nenhum e acho melhor procurar conscientizar as pessoas a não errar mais na hora de votar. Quem tem a consciência limpa vai aprender.

Quando eu era viajante, no interior de Minas Gerias, andando em estradas ruins para visitar cidades atrasadas, o comentário geral, colocava a culpa nos vereadores, que estavam sempre do lado dos prefeitos, defendendo só os interesses deles, e dando esmolas aos eleitores para garantir a próxima reeleição. Pois é isto aí. Araci sempre foi assim também, desde que me entendo por gente.

Meu espaço aqui é pequeno e vou concluir revelando que votei em Gidalti para vereador. Ele é editor do nosso jornal, pessoa competente, inteligente, independente para agir e decidir. Filho de João Moura e Dona Laura, família tradicional da nossa terra. Confio na honestidade e na capacidade dele e sabia que ele chegando à câmara, com Nenca e Ginho, que são também honestos e competentes, na prefeitura, Araci iria tomar um novo rumo na sua administração e na sua política. Quem gosta de sua terra, da sua família, e vê essa quantidade de meninos sem futuro certo, no mínimo deve ter votado como eu, pensando no futuro deles, valorizando o voto, única arma que temos como ferramenta de mudança.

Por Roque de Lilí

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