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A derrubada da Concha Acústica da Praça.

O tempo é traça que medra
colunas, livros de pedra,
rói o mármore, quebra a lei,
com sua pata invencível,
de quem um dia foi rei.

Por Gidalti Moura

qua, 12/01/2011 às 10:12

Vi a pesada marreta do operário desabar com seu excesso de peso quebrando um dos marcos consagradores da gestão de um prefeito que marcou o fim de uma década e início de outra, 1989 a 1992 quando intitulado prefeito do século provocou uma transformação  arquitetônica na cidade. O canteiro vitrine das obras do prefeito Edivaldo Pinho foi a Praça de Nossa da Conceição onde foram distribuídos, jardins suspensos, muretas, bancos arqueados e de encosto, fonte luminosa e a decantada concha acústica que durante trinta anos serviu de palco para as artes cênicas e os talentos da terra. Na tarde desta terça onze de janeiro sem os recursos das modernas implosões, passou a escombros e pó o primeiro monumento que a história tentou guardar do prefeito empreendedor. O tempo como a traça que medra, até os livros de pedra cuidou de empurrar contra a muralha do progresso a história e por ironia do próprio tempo, a prefeita da reconstrução e do governo que de tudo cuida, sua esposa Nenca iniciou outra transformação arquitetônica que saltará de uma mini-curitiba de trinta anos atrás para um Araci do futuro capaz de cuidar e qualidade de vida e conhecimento. Uma população capaz de traçar paralelos o bom e o necessário, entre o importante e o prioritário, entre  o que se ganha e o que se conquista. Uma gente que cobra dos governantes ação como dever de quem não só foi escolhido para lutar pelo bem de todos, mas que é bem remunerado para fazer isso.

É com essa consciência que a prefeita Nenca continua reconstruindo a cidade e cuidando dela com vista a transformá-la em uma cidade melhor de se viver.

Como as marretas desceram sobre as estruturas e fundações da velha concha acústica, está nos planos da prefeita fazer o mesmo com outros monumentos que historicamente vem infectando o belo da praça mais bonita do interior baiano. Os barraqueiros, os donos de bares que deram aspecto de acampamento à praça estão com as barbas de molho. E o dono do Raso’s Bar, outro monumento que já escreveu sua bonita história de uma praça de um lugar chamado Raso, também deve estar se preparando para o dia em que deverá se despedir dele e guardar suas histórias para contar, talvez relaxando em um ponto de encontro digno de se fazer imagens como de cartão postal da cidade.

Há de se enaltecer essa corajosa decisão da prefeita e de se pedir aos espíritos egoístas e roedores do progresso coletivo que espalhem essa nova: Nenca está construindo o Araci do Futuro, aos olhos dos que gostam de sua cidade, é claro!

Por: Gidalti Moura.

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