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100 jornalistas foram agredidos em um ano e seis foram mortos no Brasil

A matéria do Jurista e professor Luiz Flávio Gomes, Fundador da Rede de Ensino LFG, Promotor de Justiça e Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil, compartilhada ao Portalfolha pelo JusBrasil Newsletter em 20/02/2014 faz um retrato da violência no país e exala uma preocupante interrogação: onde vamos chegar com essa violência alimentada pela impunidade? Republicada na íntegra encabeça o título: “Política criminal do porrete”.

Por Gidalti Moura

sex, 21/02/2014 às 11:33

A matéria do jurista e professor Luiz Flávio Gomes, fundador da rede de ensino LFG, promotor de justiça e diretor-presidente do Instituto Avante Brasil, compartilhada ao Portal Folha pelo JusBrasil Newsletter,  em 20/02/2014,  faz um retrato da violência no país e exala uma preocupante interrogação: onde vamos chegar com essa violência alimentada pela impunidade? Republicada na íntegra encabeça o título:

 “Política criminal do porrete”.

“Opositor organiza ou participa de protestos na Venezuela: porrete nele. Disputa eleitoral e, especialmente, campanha presidencial no Brasil: porrete no adversário. Nos protestos de junho a PM atordoada achou a “solução” para a desordem: porrete nos manifestantes e jornalistas. A PM entrou no Carandiru e desceu o porrete nos presos (resultado: 111 mortos). Daí nasceu o PCC, que tem uma receita: porrete na PM (mais de 100 mortos em 2012, em SP).

Em um ano, mais de 100 jornalistas foram agredidos e seis foram mortos no Brasil: porrete neles! Ônibus: incêndio neles (porrete incandescente). Os vândalos “black blocs” saem com porrete na mão (destruindo, quebrando e arrebentando tudo). Disputa de gangues dentro dos presídios: porrete nos inimigos, que culmina com a decapitação. Presidente do STF vai a solenidade do Congresso Nacional: porrete gestual nele. Negrinho “suspeito” é encontrado na rua: porrete nele (com “direito” de amarrá-lo no poste).

foto ilustrativa

foto ilustrativa

De porrete em porrete, o Brasil vai retrocedendo em sua civilização. Gaudêncio Torquato afirmou: “Os atos de desrespeito, deboche e humilhação espalham-se nas cercanias do império da desordem e da anomia que se alastra no País” (Estadão 16/2/14, p. A2). Qual a solução para essa desordem e anomia?

Eu não apostaria no marxismo, nem no socialismo e muito menos no fascismo ou nazismo, nem no esquerdismo nem no direitismo, fanatismo ou fundamentalismo: não há outra saída que não seja a já encontrada (embora com dificuldades, avanços e retrocessos) pelos países do capitalismo evoluído e distributivo (Dinamarca, Islândia, Noruega, Coreia do Sul, Japão, Canadá, Suécia, Suíça, Áustria, Alemanha, Austrália, etc.), ancorado: (a) na educação de qualidade para todos; (b) no ensino da ética (respeito a todas as pessoas, à natureza, aos animais e ao bom uso da tecnologia); (c) no império da lei e do devido processo legal e proporcional e (d) na alta renda per capita para os trabalhadores. São esses os antídotos para a violência.

Prova disso é o IDH (índice de desenvolvimento humano) da ONU: os 47 países mais desenvolvidos (educação, longevidade e renda per capita) contam com a taxa de 1,8 mortes intencionais para cada 100 mil pessoas. O Brasil, em 2011, fechou o ano com 27,1 assassinatos para cada 100 mil. O que está nos faltando: educação, ética, império da lei e do devido processo e melhora (mais ainda) na renda per capita. Em síntese, para acabar ou amenizar nosso apartheid, necessitamos de uma reordenação socioeconômica. O capitalismo selvagem, extrativista e parasitário (que nada tem a ver com o capitalismo evoluído) não pode mais se valer do “porrete” para manter seus velhos privilégios. E o ideal é que tudo isso fosse feito sem convulsão social. Já se jorrou muito sangue no solo brasileiro!”

 

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