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Socorro, presidente!

No dia 17 de uma das plataformas da Cultura FM-Araci, o helicóptero prefixo BDC-104.9 MHz decolou para uma viagem ao tempo e apenas aos 9 dias da decolagem uma pane já esperada levou os sete tripulantes a soltar o grito: “SOS, estamos caindo!”

Por Gidalti Moura

seg, 26/11/2018 às 06:50 - atualizado em 27/11/2018 08:09

O dia era 17 de dezembro, dia de comemoração dos anos 18 da maioridade quando saiu a autorização da outorga da Associação Rádio Comunitária FM de Araci com seu prefixo e antenagem para entrar no ar como a primeira e única emissora comunitária. A celebração foi pela manhã no programa Bom dia Cidade, uma das plataformas de audiência da programação. E eu estava lá. À vista e ouvidos de todos os presentes e de milhares de radiouvintes, pude abrir as páginas de um tempo glorioso de quando a primeira e única emissora de rádio nasceu gerada por um descomunal esforço de um genitor técnico sonhador chamado Zé Socorro.

Nove dias depois o mundo antenado da Cultura FM ouvia o mentor e criador de desse projeto soltar um grito em seu programa, como disse, o último Patrulha da Cidade: “…não tenho mais condições de continuar na rádio, após 17 anos de história. “Chegou a um ponto que não tenho mais condições de ficar aqui “”

Até aí, nada de extraordinário. Com uma idade na classe terceira e uma saúde que inspira cuidados, suas palavras não eram apenas condições físicas. No âmago de tudo mais o que continuou dizendo como: “Eu já estava engasgado. Amanhã só voltarei aqui para pegar meu patrimônio. Não vou ficar aqui, com pessoas que querem usar a rádio como trampolim para ganhar dinheiro “, o velho guerreiro vomitava o que estava guardado em sua alma turbulenta. Sempre estávamos falando desse estado de coisas. De como é difícil fazer imprensa escrita ou falada numa terra cheia de leitores e ouvintes, todavia escassa de gente capaz de entender o valor que isso atribui à cidade nesse mundo da comunicação.

E agora, José?  Quem nos devolverá a Cultura FM nos moldes e objetivos criados?

Como responder, se as respostas ficaram guardadas em sua alma revoltada se acabou pecando contra seu refrão guerreiro: “Ninguém cala a minha voz”?

É claro que essa voz ainda não se calou! E a segunda pergunta é:  De onde virá o socorro? – Sinceramente, acho que primeiro deveria vir da iniciativa privada que precisa acreditar que a propaganda é a alma do negócio, e chegar junto com uma parceria que deixe de parecer esmola para uma entidade capenga ou o conhecido jabá” identificado pelo radialista quando disse: “querem usar a rádio como trampolim para ganhar dinheiro “. Francamente, deve vir também dos poderes constituídos, que são de qualquer modo beneficiado com o poder e velocidade de informação de seus atos, que as vezes vão ao ar porque produzem impactos negativos ou lucrativos, dependendo da fonte.

Uma cidade emergente como nosso Araci, que conseguiu emplacar há quase vinte anos, uma emissora de rádio e um dos melhores jornais do interior, sem contar com outros sítios de comunicação na internet, tem de se manter nessa vanguarda, e para isso é preciso sensibilidade política, uma visão de futuro e principalmente, reconhecer quem está disposto a realizar o que poucos sabem e conseguem fazer!

Tenho dito.

 

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