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Pandemia isola fiéis e muda tradições do domingo de Páscoa

O isolamento social mudou a rotina pascoal de todos os anos e a matriz de Nossa Senhora da Conceição ficou vazia. A celebração da missa do domingo de páscoa alcançou os fiéis através do rádio e da internet.

Por Gidalti Moura

seg, 13/04/2020 às 16:20

Ontem como costumo fazer em toda a programação de celebração da páscoa, entrei na igreja católica matriz na Praça Nossa Senhora da Conceição e pude registrar o momento mais incrível, porque diferente de todas as coberturas jornalísticas que costumo fazer no período pascoal.

Se as lentes de minha câmera falassem, certamente digitariam uma mensagem de que algo estava errado em sua rotina de registrar a páscoa todos os anos.  “Confira sua localização, algo errado quanto ao lugar ou circunstancias!”. Realmente foi essa a sensação. O clicar das imagens de uma igreja vazia, registrando a celebração feita pelo novo vigário recém-chegado padre Roque, falando para um templo com fileiras de bancos vazios, me transportava para o passado de celebração de uma páscoa sem os efeitos desta pandemia que tirou a rotina do planeta. Para captar a ideia do desalento de minhas lentes, é preciso voltar a essa imagem da matriz no ultimo domingo de ramos…

Ontem, era essa a imagem da imensa congregação que pelo isolamento que lhe foi imputado pela pandemia, criou artifícios para mostrar sua ligação com o Cordeiro Pascoal. Pessoas e família delas deram um jeito de estarem presentes na simbologia de fotos coloridas, coladas no encosto de cada banco, onde deveriam estar neste domingo diferente de todos os outros domingos de pascoa, em suas vidas de devoção. A maneira nunca adotada pelo celebrador da homilia pascoal parecia requerer do padre muita resignação que misturada à coragem e fé, levava pelas ondas da Cultura FM e pelos sítios da internet a mensagem que todos foram impedidos de ouvir na casa de Deus.

Foi realmente um cenário que não poderia deixar de ser registrado nessa minha também alterada rotina de jornalista e blogueiro, sempre registrando a páscoa na Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Raso.

Depois da missa proferida e ouvida por um imaginário auditório virtual, conversamos com o novo vigário nomeado pela Diocese em substituição ao padre José Carlos que foi deslocado para outra área pastoral.

José Roque Alves de Oliveira, padre Roque como é chamado, vai completar no próximo mês de setembro, 28 anos de sacerdócio, é de família serrinhense e foi ordenado padre em Itabuna onde trabalhou seus primeiros 27 anos como padre diocesano secular. De Itabuna, foi para Retirolândia e de lá para Conceição do Coité de onde foi transferido para a paróquia de Araci em 19 de janeiro desse ano. “Já conhecia Araci como cidade e como paróquia e sabia que aqui tem uma igreja forte, povo dedicado de grande religiosidade, muitas pastorais atuantes, de forma que ser nomeado pelo nosso Bispo para Araci foi uma oportunidade que muito me alegra” – disse padre Roque.

Falou sobre a nova situação vivida como sua primeira celebração de páscoa na cidade e disse que toda aquela cena de imagens das famílias nos bancos, era uma demonstração de que nem ele nem o padre Théo estavam falando no vazio. Era uma demonstração de que todos estavam juntos com eles, comungando e vivendo as emoções da semana pascoal e daquele domingo de pascoal.

Na parte da tarde, a cidade foi impactada com um desfile em forma de carreata, quando os fiéis dentro de seus automóveis, cumpriam o decreto de isolamento e aglomeração de pessoas, substituíam a tradicional procissão do domingo de pascoal. E todos os católicos com suas rotinas e hábitos alterados pelo isolamento social, fruto da pandemia do novo Corona vírus, participaram da celebração da Páscoa de forma virtual em suas casas. Alguns tentaram ainda que com receio manterem os planos daquele  almoço com a família, mas reduzindo o número de participantes e incluindo apenas os integrantes que moram na mesma casa, esperançosos na comemoração de uma nova pascoal sem a interferência do corona vírus.

 

 

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